sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sem apoio do TFD, mãe denuncia que filho aguarda por cirurgia há dez anos

oão Renato Andrade | Rio Branco (AC)28/05/2015 16:00:52
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A crise na saúde pública do Acre, pasta chefiada por um advogado, continua caminhando rumo a um destino incerto. Os vários casos de demoras em atendimentos e prováveis negligencias estão tomando conta de hospitais da capital e do interior do Acre.
Um dos casos que comprovam os problemas é a história de uma criança que, segundo a mãe, aguarda na fila das cirurgias há exatos 10 anos. Acometido por uma doença chamada Lipomielomeningocele, e portador de causa presa, espinha bífida oculta e tumor medular, a criança é levada rotineiramente ao Hospital do Juruá, onde é acompanhado por médicos.
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CADÊ O PT DOS POBRES, SÓ QUERIAM O PODER PARA ROUBAREM O DIREITO DOS BRASILEIROS: De acordo com Thaiana de Souza Negreiros, de 25 anos, “não aguentamos mais esperar tanto. A cada dia meu filho vem apresentando problemas e as vezes ele tem crises e quando tem os ossos dele se retorcem. Tenho medo de ele até quebrar a perda. É preciso várias pessoas para ajudar ele”, conta a mulher.
Segundo a dona de casa, o filho, que estuda na rede pública de ensino, tem tido dificuldades até para estudar. “Eu sempre vou para o hospital com ele. Ele tem que ser medicado constantemente. Nós já fomos em Manaus [capital do Amazonas] e fizemos algumas avaliações lá. Acontece que a gente precisa agora da ressonância magnética, mas o pessoal do TFD [setor de Tratamento Fora de Domicilio do estado] não marca a data da viagem da consulta com o médico na Fundação”, relada a mulher, indignada.
Segundo Thaiana, até o Ministério Público do Estado (MPE) já foi acionado para ajudar na solução do caso. “Eu já fui no MP, e lá o promotor e os assessores me receberam bem e estão me ajudando, mas acontece que o estado demora muito para resolver as coisas, e meu filho já espera há dez anos por isso e nada”, reclama.
Procurada para falar sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), esclareceu que o processo de tratamento só foi aberto no órgão em julho de 2014. Segundo eles, pouco mais de um mês após o agendamento, a criança viajou para Rio Branco, onde teve o estado averiguado pelo médico especialista, Bruno Lobo.
Contudo, segundo a Sesacre, não houve registro de retorno até o mês de dezembro do ano passado, quando, de acordo com a secretaria, deveria ter acontecido um novo encontro com o médico da criança. Agora, após as denúncias do portal, foi reagendada a consulta para o mês de junho, no Hospital das Clínicas de Rio Branco.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

7 coisas surpreendentes que você talvez não saiba a respeito de Rambo


MEGA CURIOSIDADE: QUantos meninos e meninas também, ué! não imaginaram que eram Rambo durante uma de suas brincadeiras com os amigos, e saíram por aí disparando tiros de mentirinha para todo lado? Pois apesar de o icônico personagem ser um velho conhecido de todo mundo (o primeiro filme foi lançado há 33 anos!), nem todos conhecem a origem de seu nome ou o fato de que Sylvester Stallone não queria interpretar o herói em um primeiro momento.
Pensando nisso, Sean Hutchinson do portal reuniu uma série de coisas surpreendentes a respeito de Rambo e seus filmes, e nós aqui  selecionamos as mais interessantes para você conferir.

1 – Origem “poética” do nome

O primeiro filme, “Rambo: Programado para Matar”, de 1982, é uma adaptação do livro homônimo do canadense David Morrell, lançado em 1972. Pois, para batizar o personagem da história, o autor se inspirou em uma variedade de maçãs cultivadas no século 17 por um imigrante sueco chamado Peter Gunnarson Rambo.
Segundo Morrell, ele não sabia que nome dar ao protagonista, quando resolveu comer uma maçã. Ele achou a fruta deliciosa e perguntou à sua esposa se ela sabia de qual variedade se tratava, e a resposta foi... “Rambo”.
O escritor imediatamente reconheceu a força do nome, e ainda se lembrou de como algumas pessoas pronunciam “Rimbaud”, o nome de um poeta francês que Morrell estava estudando na época. Coincidentemente, um dos trabalhos mais importantes de Rimbaud é a obra “Uma Temporada no Inferno”, que o canadense acreditava ser a metáfora perfeita para os traumas vividos pelo prisioneiro de guerra sobre o qual ele estava escrevendo.

2 – Baseado em uma pessoa real

Pois além de ter o nome inspirado em uma variedade de fruta e no som de outro nome, o personagem foi baseado em um herói de guerra real. Quando estava escrevendo seu livro, Morrell se deparou com a história do soldado Audie Murphy — que foi o militar norte-americano mais condecorado da Segunda Guerra Mundial, recebendo mais de 20 medalhas por sua bravura, incluindo honrarias concedidas pela Bélgica e França.
Depois da guerra, embora sofresse de estresse pós-traumático, Murphy se tornou ator e interpretou ele mesmo em um filme autobiográfico, além de fazer participações em uma série de longas. Infelizmente, o veterano morreu em um acidente aéreo na década de 70. Morrell, por sua vez, deu uma atualizada na história de Murphy, e inseriu Rambo em uma era pós-Vietnã.

3 – Stallone não queria ser Rambo

Durante o período em que o projeto ficou pulando de uma mão para outra nos estúdios de Hollywood — mais precisamente, de 1972 até 1982 —, vários atores foram considerados para o papel de Rambo, como Steve McQueen, Al Pacino, Robert De Niro, Nick Nolte, Paul Newman, Clint Eastwood, John Travolta e Dustin Hoffman.
Sylvester Stallone recebeu o convite graças ao seu sucesso como Rocky, mas recusou por achar que o personagem já havia sido oferecido a atores demais antes dele, e por acreditar que o filme jamais seria produzido. O ator finalmente aceitou depois de receber a proposta de poder reescrever o roteiro de forma que Rambo parecesse mais empático e menos traumatizado e maluco do que ele era no livro.

4 – Era para Rambo ter morrido

No final do livro de Morrell, Rambo comete suicídio após uma conversa com Coronel Trautman, e o diretor Ted Kotcheff chegou a gravar a sequência para ser incluída em “Rambo: Programado para Matar”. No entanto, depois que a cena ser apresentada em uma sessão prévia, a audiência detestou o fato de que o final do filme parecer insinuar que a única forma de que os veteranos conseguissem lidar com os traumas de guerra fosse morrendo.

5 – Ação, política e romance

A primeira versão do roteiro de “Rambo II – A Missão”, lançado em 1985, foi escrita por James Cameron — que também já estava trabalhando com os scripts de “O Exterminador do Futuro” e “Aliens, O Resgate” —, mas o que acabou indo para a telonas é bem diferente do que o que Cameron havia imaginado. Basicamente, ele criou toda a ação, enquanto Stallone introduziu o toque político na trama.
Originalmente, Cameron imaginou a sequência começando com Rambo sendo encontrado pelo Coronel Trautman em um hospital psiquiátrico. Na trama o personagem contaria com a ajuda de um militar chamado Brewer, que seria vivido por John Travolta, ator com quem Stallone havia trabalhando quando ele dirigiu o filme “Os Embalos de Sábado Continuam” — dá para imaginar isso?!
Bem, Stallone assumiu os roteiros, repaginou o que Cameron havia criado, introduziu toda a temática relacionada com prisioneiros de guerra e militares desaparecidos em combate, e incluiu o romance entre Rambo e Co Bao. A intromissão deu certo, pois “Rambo II – A Missão” foi o único filme da franquia a ser nominado para um Oscar. O longa recebeu a indicação para o prêmio de Melhor Edição de Som, mas perdeu para “De Volta para o Futuro”.

6 – Stallone teve que malhar muito

Para viver o personagem em “Rambo II – A Missão”, Sylvester Stallone teve que malhar muito, e encarou uma rotina de exercícios extremamente pesada para conquistar o físico necessário. Por sorte, o ator havia acabado de gravar “Rocky III” um pouco antes de iniciar os trabalhos, o que ajudou bastante. Mesmo assim, Stallone começou a treinar 8 meses antes de iniciar as filmagens, e seguiu um rigoroso regime até o final.
O ator começava o dia com um treino que durava entre 2 e 3 horas, e então ele passava entre 10 e 12 horas no set de filmagens. Depois de gravar, em vez de descansar como um ser humano normal, Stallone ainda treinava outras 2 ou 3 horas. Só então ele dormia cerca de 6 horas para começar tudo de novo no dia seguinte.

7 – Sequências

A produção de “Rambo 3”, lançado em 1988, foi bem conturbada. Para começar, o diretor original — Russell Mulcahy — foi demitido depois de duas semanas de produção por diferenças criativas, e Peter MacDonald, o novo diretor, teve apenas dois dias para se preparar antes de assumir a responsabilidade. Além disso, esse foi o primeiro filme dirigido por MacDonald e, na época, o longa foi a produção mais cara do cinema.
Na trama — ambientada em plena Guerra Afegã-Soviética — Rambo se une a guerrilheiros mujahideen no Afeganistão para combater os russos e salvar Trautman, seguindo a linha antissoviética dos filmes anteriores. Pois quando o longa já estava em pós-produção, o líder soviético Mikhail Gorbachev começou a implementar a política de transparência que acabou por aliviar a tensão política e melhorar as relações entre os EUA e a URSS.
Para piorar, apenas 10 dias antes do lançamento de “Rambo 3”, as tropas soviéticas começaram a abandonar o Afeganistão, destruindo o principal argumento do filme. E “Rambo 4”, lançado em 2008, também teve alguns probleminhas de ordem política. Após ler a respeito da onda de protestos que levaram à guerra civil entre militares birmaneses e rebeldes karen, Stallone decidiu ambientar o enredo na Birmânia.
O ator acreditava que o conflito não estava recebendo a cobertura merecida da mídia, e chegou a empregar uma porção de birmaneses sem experiência nas telas como extras — tanto que o malvado General Tint foi interpretado por um antigo combatente karen. No entanto, devido a esse panorama negativo com respeito ao governo de Myanmar, a exibição de “Rambo 4” foi banida em todo o país.

Mais curiosidades:

  • Por incrível que pareça, Rambo não mata ninguém no primeiro filme. Ele apenas fere — para valer! — as pessoas que tentam caçá-lo e feri-lo, e isso se deve aos esforços de Stallone de tornar o herói mais empático e menos sanguinário. O único personagem que morre é Galt, que persegue Rambo pelas montanhas com um helicóptero e, quando tenta matá-lo com um rifle, o protagonista atira uma pedra em sua direção que faz com ele perca o equilíbrio e caia;
  • A famosa facona de Rambo foi desenvolvida a pedido de Stallone pelo fabricante Jimmy Lile. O ator solicitou que ele criasse a icônica arma dando a Lile algumas instruções, como a de que a faca deveria ser útil em situações extremas de sobrevivência, longa e afiada o suficiente para fatiar comida e cortar madeira, ter uma lâmina dentada para defesa etc. Seis unidades foram produzidas para o primeiro longa, e versões atualizadas foram criadas para os filmes subsequentes;
  • Apesar de a trama de “Rambo II – A Missão” se passar nas selvas vietnamitas, as filmagens de ocorreram em Acapulco, no México. Em um primeiro momento, os produtores consideraram rodar o filme na cidade de Chiang Mai, na Tailândia, mas mudaram de ideia por questões de custo e dificuldades de logística;
  • Mas filmar em Acapulco não foi nada fácil! Durante as gravações, a passagem do Furacão Odile provocou a destruição quase total dos sets, e a produção teve que ser temporariamente interrompida. Para ganhar tempo, a equipe decidiu gravar algumas cenas no hotel onde estava hospedada — entre elas a icônica sequência na qual Rambo prepara o arsenal de armas que ele leva em sua missão;
  • Os créditos finais de “Rambo 3”, que conta com o herói lutando ao lado de guerrilheiros afegãos, foi alterado depois dos atendados de 11 de setembro nos EUA. Originalmente, o texto dizia “Este filme é dedicado aos bravos guerrilheiros mujahideen do Afeganistão”, mas foi modificado para “Este filme é dedicado ao corajoso povo do Afeganistão” devido à relação entre os combatentes e a rede terrorista Al Qaeda.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Avião com deputados estaduais sofre pane em Santa Rosa

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As visitas que os deputados estaduais da Comissão de Saúde da ALEAC estão fazendo pelo interior do Estado quase virou uma tragédia na manhã desta segunda, 24. O avião bimotor que sairia de Santa Rosa do Purus em direção ao Jordão levando os deputados Raimundinho da Saúde (PT), Dr. Jenilson (PC do B) e Eliane Sinhasique (PMDB) teve uma das suas portas arrancadas na decolagem.
Graças a habilidade do piloto Roney, um dos mais experientes do Acre, o bimotor conseguiu fazer uma manobra e evitar o voo e o acidente.
Muito nervosa a Eliane Sinhasique entrou em contato com seus assessores por um telefone dos Correios de Santa Rosa. Segundo o seu relato, faltou muito pouco para que o avião decolasse e, consequentemente, caísse em seguida. Todos os passageiros entraram em pânico na hora que a porta foi arrancada com a aeronave já em velocidade para decolar. Os buracos da pista de Santa Rosa que causam grande trepidação aos aviões pode ter sido a causa do acidente.
O avião conseguiu evitar a decolagem numa manobra de muita habilidade do piloto. Agora, está em solo aguardando reparos para seguir viagem. Ninguém se machucou.
Fonte: Ac24horas

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Friale decreta fim das chuvas intensas e prevê frio abaixo de 10 graus




Davi Friale
A chegada de uma leve frente fria no Acre é o prenúncio de que as chuvas mais intensas darão uma trégua, informou nesta segunda-feira, o pesquisador meteorológico Davi Friale.

Segundo Friale, especialmente a partir do mês de junho, ocorrerão frios intensos no Acre com temperatura abaixo de 10 graus com sensação térmica de zero. A ocorrência de chuvas será isolada.
“Daqui pra frente o tempo será mais seco, as temperaturas mais agradáveis, até que chegue uma frente fria mais intensa. As últimas chuvas mais intensas ocorreram no último sábado. Agora serão chuvas isoladas. A chegada da frente fria com acompanhada de uma massa de ar polar fará com que a temperatura caia bruscamente em junho e mais precisamente em julho. Esses frios vão ficar abaixo de 10 graus com sensação de zero graus”.
Friale lembra que o resfriamento global é o grande responsável pela queda da temperatura. Ele vai mais além. O pesquisador alerta que nos próximos 20 anos, o Acre irá sofrer com frios intensos que chegarão a zero graus com sensação de 10 graus negativos. “Aqui a água vai congelar”, afirma.
“Nos próximos 20 anos devido a baixa atividade solar e a perda da energia dos oceanos vão fazer com que tenhamos frios mais intensos. Mas isso não quer dizer que seja todo ano. Aqui no Acre teremos temperatura real em torno de zero grau com sensação de dez graus negativos. E isso não é novidade no Acre. Todas as pessoas que tem mais de 80 anos e moram aqui e moravam aqui lembram disso, quando a água congelava. Eu não estou afirmado que vai dar zero grau esse ano. Mas estou afirmando que nos próximos anos sim teremos frio que para a água congelar”, conclui.
Fonte: Ac24horas

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Manoel Urbano faz mais um aniversário antes de se acabar de vez

Manoel Urbano faz mais um aniversário antes de se acabar de vez
O município de Manoel Urbano completou ontem ( 14) mais um aniversário, o poder municipal não teve coragem de comemorar, comedo dos moradores realizarem novamente protestos nas ruas da cidade, ( Ramais) de acordo com a estudante Jaqueline se o prefeito Alle Araujo não abandonar o poder e volta para sua fazenda acidade vai se acabar de vez.
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Nossa reportagem tentou contato com o prefeito mais ele estava fora de área, caso o prefeito queria comentar a matéria o espaço esta aberto, nosso
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Fonte: Sena Oline

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A CORRUPÇÃO NO BRASIL TAMBÉM É BANCADA POR NÓS!

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Estamos novamente em meio a um turbilhão de escândalos públicos, o que tem sido uma situação constante desde a época em que éramos uma simples colônia. Como diz o adágio popular vivemos na “casa da mãe Joana”.
No entanto, a questão da corrupção no Brasil é muito mais profunda. Acredito que apenas uma pequena parte dos casos seja descoberta e venha a público. Imagino que grande parcela fique escondida nas entranhas públicas. Temos a corrupção política, a corrupção de servidores e de cidadãos desonestos. A corrupção sempre tem dois lados, um corrompendo e outro sendo corrompido.
É nítido que a máquina pública está comprometida. Desde criança escutamos falar sobre a tal da corrupção, agora vemos, todo dia, ao vivo e a cores na TV.
Na esfera política houve e há muito apadrinhamento para se obter a dita governabilidade. Não importa os interesses da sociedade, desde que os interesses pessoais e partidários sejam atendidos, com isso vem a briga pela distribuição de cargos públicos, comissionamentos e outras benesses. Isto ocorre em todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal), afinal é preciso acomodar todos os camaradas.
O exemplo mais recente da corrupção política em nosso país é o escândalo do mensalão, que teve início em 2005 (sete anos atrás!) e somente agora está tendo um desfecho.
No âmbito administrativo temos um carnaval de queixas, denúncia e escândalos. Somente para citar alguns exemplos: a indústria de multas de trânsito em diversas cidades, desvio de verbas através de falsas ONGs, fiscais corruptos, licitações fraudulentas, entre tantas outras situações que podem preencher um livro.
Se pararmos para pensar, no final das contas, mesmo que inconscientemente, somos nós que financiamos toda essa corrupção. Os corruptos visam o dinheiro público, que em última análise é o seu dinheiro e o meu dinheiro, que disponibilizamos para a manutenção da sociedade.
Na medida em que os recursos destinados a financiar hospitais, escolas, saneamento básico e outras necessidades primárias são desviados, debaixo de nossos narizes, e não tomamos qualquer atitude, também temos nossa parcela de culpa, por uma simples questão de omissão.
Todo mês a arrecadação tributária bate recordes, o governo encosta os contribuintes na parede e suga a maior parcela dos seus recursos e tudo isso para quê? Para vermos que o nosso dinheiro está sendo desviado, utilizado para manter um gigantesco cabide de empregos, manter o inchaço da máquina pública ou aplicado em obras fúteis, enfim, uma grande parcela escoando pelo ralo.
A cada dois reais desviados ou desperdiçados é um litro de leite que está sendo tirado das crianças esfomeadas deste país!
Ao longo dos anos fomos vencidos pelo cansaço, nos tornamos um povo apático a tudo isto. Somos pacíficos, mas não precisamos ser omissos. Em outros países por questões muito menores o povo sai às ruas protestando e cobrando os seus direitos. Temos que limpar a administração dos maus políticos e servidores públicos que mancham nossa imagem, afinal carregamos a pecha de sermos uma sociedade corrupta.
Falta-nos esse poder de mobilização e indignação, afinal quem manda neste país é o povo brasileiro, sua vontade é soberana e cabe aos ocupantes dos cargos públicos nos representar e, sobretudo, nos respeitar.
A situação pode, sim, ser mudada. Desde que você e eu nos manifestemos abertamente, pois nossa manifestação, quando multiplicada, gerará a necessária mudança da opinião pública sobre o assunto. Sinta-se à vontade para utilizar ou compartilhar este artigo com seus amigos e colegas, e peça-os para manifestarem também em blogs, twitters e outros meios, enviando cópia para deputados, senadores e outras autoridades.

Santa Rosa do Purus

Localização de Santa Rosa do Purus
Santa Rosa do Purus é um município brasileiro do estado do Acre. Faz parte da Mesorregião do Vale do Acre e da Microrregião de Sena Madureira. Sua população, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 5 593 habitantes em 2014.

Geografia

A população de Santa Rosa do Purus em 2014 era de 5 593 habitantes3 e a sua área é de 5981 km² (0,7 hab./km²).2
É limitada ao sul com o Peru, a leste com o município de Manoel Urbano e a oeste com o município de Feijó.
O município, juntamente com os seus vizinhos, Manuel Urbano e Sena Madureira faz parte da Regional do Alto Purus. A presença do estado é tão reduzida, que os habitantes deste município se queixam de viver exilados. O ponto de entrada do rio Purus no Brasil dá-se neste município.
A região é povoada por uma grande diversidade ao nível da fauna e da flora, existindo espécies em via de extinção, tais como a onça-pintada, o jacaré-açu e a ararinha-azul.
Sabe-se que perto existem tribos de ameríndios sem contacto com outras tribos nem com o homem branco.

Economia

As principais atividades econômicas de Santa Rosa dos Purus ainda são a caça e a pesca de subsistência, não havendo, por enquanto, sinais de que estas atividades estejam a prejudicar o meio ambiente.

Mariri: celebração yawanawa corta o silêncio da floresta e tenta despertar o mundo para suas origens


Estamos reunidos esta semana na aldeia Mutum, Terra Indígena do Rio Gregório, nas florestas do município de Tarauacá (AC), para celebrar a cultura do mariri yawanawa. É um  encontro onde a magia e a beleza de um povo rompem o silêncio da floresta para entoar aos quatro cantos da terra a força de nossa tradição.

Isso me faz voltar no tempo, não muito tempo atrás, após morar e estudar nos Estados Unidos por cinco anos, quando retornei, em 2001, trazendo na bagagem muitos sonhos, entre os quais o de fortalecer a cultura e a espiritualidade yawanawa, o que parecia uma utopia naquele tempo.

Tinha sido convidado pelo meu povo para liderá-lo, em uma época onde a cultura, espiritualidade e as manifestações do yawanawa estavam sendo enfraquecidas e quase sendo esquecidas.  

Os velhos sábios, pajés e doutores do conhecimento tradicional yawanawá, como Tuin Kuru, meu pai, estavam esquecidos pelos jovens, muitos acreditando que a "cultura da cidade” era melhor do que a de nosso povo. Eles só queriam saber de ir para Tarauaca (AC),  para dançar forró, beber, e virar nawas (brancos).

Chegando na aldeia, chamei todos os velhos sábios para me aconselhar e lhes pedi que me ensinassem como liderar nosso povo. Na ocasião, foi realizada uma grande assembleia que durou três dias, quando houve uma profunda reflexão sobre a situação do povo yawanawa no passado, no presente e como gostaríamos de ser no futuro.

Tive essa inspiração ao vivenciar uma longa jornada espiritual com os povos indígenas do Canada, Estados Unidos, México, Venezuela, como os Tepehuanos, Raramuri, Panare, Piaroa, que  lutavam para seguir preservando seu conhecimento tradicional, mesmo que para o modelo de desenvolvimento econômico capitalista pudesse representar um obstáculo.

Aquelas comunidades, por  semanas, realizavam cerimônias, onde todos ficavam em jejum vários dias, antes de beber a bebida sagrada e dançar durante a noite de lua cheia. No caso do México, era o Jikuri, no caso dos Piaroa era o que  chamavam de Yopo, em busca da revitalização da cultura e da espiritualidade.




Então propus iniciar uma nova era de trabalhos com a celebração de cinco dias praticando nossas manifestações culturais e espirituais, dançando, brincando, bebendo uni (ayhauasca).  Nessa época, as únicas pessoas que sabiam, que guardavam o conhecimento de como eram essas manifestações culturais do povo yawanawa, era Tuin Kuru, Tatá, Yawarani e dona Nega. No entanto, Tuin Kuru, era o que mais conhecia as expressões artísticas e as manifestações culturais.

Raimundo Luis Tuinkuru foi um visionário  que trabalhou arduamente até os últimos dias de sua vida em repassar para seu povo todo o seu conhecimento da cosmologia yawanawa. Dedicou sua vida para que a arte, a cultural material, o canto, a dança, a manifestação cultural e espiritual yawanawa não desaparecessem com o tempo, mas para que ela estivesse sempre na vida de cada membro de seu povo.

Mesmo vivendo num mundo globalizado, era seu desejo que o povo yawanawa não perdesse sua conexão com o mundo espiritual, de onde viemos e que, através da arte e da manifestação cultural e espiritual, pudéssemos alegrar nossos espíritos e afastar o mal.  Em vida, Tuinkuru trabalhou arduamente para que o povo yawanawa não perdesse seus costumes tradicionais como a língua, as manifestações culturais e espirituais.

Costumava despertar quando o dia ainda estava clareando e chamava os filhos, os genros, as mulheres, as crianças, para ouvirem seus conselhos sobre como lidar com a vida. Discorria sobre um conto para depois tirar moral da historia e usar como uma lição de vida. Pela manhã, chamava as pessoas para tomar caiçuma e aconselhava a todos sobre moral e virtudes para viverem bem na terra.

Para Tuinkuru, qualquer lugar, era uma sala de aula. Até mesmo a beira de um lago, durante uma pescaria comunitária, servia como palco para ele disseminar o conhecimento tradicional yawanawa. Ainda jovem, aprendeu com seu tio que cada lugar da floresta tem um dono. Se o dono daquele lugar for uma pessoa boa, facilmente encontravam-se frutas, caças e madeiras. Porém, caso o dono fosse miserável, o lugar seria hostil e não produzia nada, pois ele não dava nada a ninguém.

Tuinkuru era um sábio, um filósofo da floresta, um líder, um visionário, que  amava as pessoas incondicionalmente. O seu grande conhecimento da cosmologia yawanawa era tão vasto que era capaz de explicar com detalhes e argumentação sobre qualquer tema e, depois de finalizar sua explicação, deixar qualquer pessoa com a sensação de ter tido uma grande lição de vida.

Foi um grande contador de historias, mas não contava apenas por contar. Ele enfatizava  e buscava as ligações que a história tinha com o mundo em que vivemos, contava com a arte de contar. Mesmo que uma historia fosse aborrecida, ele a transformava numa história atrativa e doce aos ouvidos de quem tivesse ao seu redor.




Tuinkuru atuava, gesticulava e não deixava ninguém sair do círculo sem que tivesse entendido o moral da história que certamente lhe serviria algum dia na vida. Nunca passava despercebido. Sua notável presença se dava sempre pela forte liderança que sempre exerceu durante sua vida. Ele se dispôs a compartilhar seu conhecimento para essa grande celebração acontecer. Naquele tempo, os jovens yawanawa não conheciam como se fazia muitas de suas brincadeiras. Conheciam apenas poucos cantos. As pinturas faciais e corporais eram simples e pouco variadas.  

Todo o povo se animou e, em poucas semanas, se organizou o I Festival de Manifestações e Tradições do Povo Yawanawa, que ocorreu em 2002, com o único propósito de ser uma festa da própria comunidade, onde se manifestariam as cerimônias, brincadeiras que não eram praticadas há muito tempo.

Foram cinco dias sem parar, dia e de noite, como uma programação organizada e dirigida pelo Tuin Kuru. Foi inesquecível o dia em que todas as mulheres, homens, velhos, crianças apareceram vestidos tradicionalmente, pintados, cantando como se fosse antes da chegada do homem branco.

Tuin Kuru, com lagrimas nos olhos, falou que apenas nos sonhos veria nosso povo daquela maneira e que agora ele podia morrer feliz. Ele falou que já fazia mais de 70 anos que muitas das  cerimônias não eram praticadas.

Para essa celebração, os únicos nawas (brancos) amigos que foram convidados foram  o Josh Sage e seu irmão Jade Thomas, para registrar e tornar realidade um antigo sonho,  de produzir um documentário sobre nosso povo.

O documentario, com apoio da empresa Aveda Corporation Inc., foi produzido em 2003, com o titulo “Yawa  – a história do Povo Yawanawa". O primeiro filme sobre o povo Yawanawa originalmente narrado na língua Yawanawa, pelo pajé Tata, e traduzido para  nove línguas (português, espanhol, inglês, coreano, alemão, italiano, francês… ), foi dirigido e co-produzido por mim.

A partir daquele importante evento, veio o “renascimento” do povo yawanawá, onde a cultura começou a ser valorizada por sua população, sobretudo pelos jovens que passaram a se sentir orgulhosos de pertencer ao povo yawanawa. E começaram a ficar curiosos de saber mais sobre sua própria espiritualidade e cultura. Os pajés, como Tata, se tornaram pessoas de muito valor para os jovens por causa do conhecimento do qual eram detentores.




Um exemplo foi Hushahu, que era uma jovem que dava trabalho para nossos pais, e queria só saber das coisas da “cidade.” Pouco depois, Hushahu foi a primeira jovem mulher que teve a iniciativa de aprender com Tata e seu pai Tuin Kuru sobre o xamanismo yawanawa e se tornou pajé também.

Depois de Tata e Yawarani, não tinha mais nenhum pajé jovem que pudesse seguir liderando o xamanismo na comunidade. Hushahu percebeu isso e sentiu que seu destino era o de seguir o exemplo de Tata. As pessoas, sobretudo os homens da aldeia, riram da iniciativa da Hushahu, pensando que, por ela ser uma mulher, não poderia ser pajé, pois não conseguiria fazer os sacrifícios que precisariam ser feitos, por um ano, pelo menos, para conseguir tal objetivo.

Apesar de não ter contado com o apoio da maioria, Hushahu perguntou para seu pai Tuin Kuru, e ele, sabiamente, lhe respondeu que a espiritualidade yawanawa não tinha nada a ver com o sexo (gênero), que o conhecimento vinha do espírito e, que se ela tinha esse objetivo, fosse em frente, mais que não brincasse, porque era uma coisa muito séria.




Foi aí que Tuin Kuru conversou com Tata, o último dos pajés mais fortes yawanawa, para ser o mestre de Hushahu durante um ano. Pouco depois, Hushahu foi seguida pela Putani, sua irmã, que também quis se refugiar junto com ela na mata para aprender e dominar o xamanismo com os mestres Tata e Tuin Kuru.

Ate agora, Hushahu foi a única mulher jovem que realmente conseguiu ficar isolada na mata, em dieta, estudando e aprendendo com Tata, sem sair, durante um ano, sem beber água pura, açúcar, sal, comendo muito pouco, apenas para manter o corpo vivo.

Basicamente, o alimento consistia de 24 horas de uni (ayahuasca) e rapé (tabaco torrado). O resultado foi incrível: Hushahu se transformou em uma mulher bela, forte e respeitada pelos próprios homens que riram dela no início.

Durante esse tempo de dieta, Hushahu recebeu fortes sonhos xamânicos, novos cantos, pinturas corporais e faciais detalhadas e elaboradas, que atá agora são usadas nos festivais yawanawa.

O sucesso de Hushahu quebrou um tabu na tradição yawanawa, onde só aos homens era permitido beber uni e estudar para ser pajé. Hushahu abriu o caminho para outros jovens, incluindo mulheres, que quisessem seguir seu exemplo. Isso tudo graças ao apoio e sabedoria dos velhos Tuin Kuru e Tata, mestres e doutores do conhecimento tradicional.

Atualmente, Hushahu continua estudando seriamente e praticando o xamanismo Yawanawa, cada dia criando mais pinturas faciais/corporais usadas nas pulseiras feitas de miçanga, pintando telas a partir de seus sonhos xamânicos e inovando a arte yawanawa.

O festival, agora conhecido como “Yawa", continua sem a orientação de Tuin Kuru e tem alcançado seu verdadeiro propósito. Mas em todo processo de aprendizado há sempre um ponto positivo e, bem ou mal, as novas gerações, aprenderam que seu conhecimento tradicional é valioso.

Aprenderam que isso pode se transformar em uma oportunidade para que mais jovens voltem a suas raízes e se aprofundem na floresta junto com seus velhos sábios, em busca do saber espiritual de seus ancestrais. E este saber deve ser praticado de forma honesta e séria, para que possa contribuir para o fortalecimento de uma cultura milenar.

O primeiro Festival Yawanawa, tinha como objetivo fortalecer a cultura e espiritualidade Yawanawa, mas com o tempo se tornou muito turístico e nós queremos resgatar a essência da espiritualidade, fazendo reflexão interna, algo mais intimo.


Por isso, até o dia 28 de julho estaremos dedicados à cura, dança, canto, manifestação cultural e espiritual yawanawa na sua essência, na sua pureza, sem interferência da cultura ocidentalizada, conforme a visão do líder Raimundo Tuin Kuru.

O mariri, resgata e fortalece a visão inicial do Yawa, de reunir os yawanawa durante uma semana para celebrar a vida, pois, segundo nossa tradição, a nossa alma sempre tem que esta alegre, se não ele volta.

Sentado numa rede, um pajé reza toda a noite para curar uma pessoa enferma. Reza também para a comunidade global viver saudável, em harmonia com as pessoas e o meio ambiente em que vivem.
Num cantinho despercebido da Amazônia brasileira, o povo yawanawa celebra uma semana de dança, manifestação artística, cultural e espiritual num ato de agradecimentos aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece.

A batida de mais de mil pés, em ritmo de dança, levanta a poeira do terreiro, corta o silêncio da floresta e desperta o mundo para suas origens.

É tempo de despertar, encher nossas vidas de motivações positivas para resgatar nossos valores étnicos e culturais, para não perdemos de vista o caminho de onde viemos.

Hoje nossos velhos podem dormir em paz, pois já cumpriram com sua missão. Nossa missão agora é manter viva a memória de nosso povo, não deixar que a globalização mude nossos costumes e nossa maneira de viver. Cuidar de nossos territórios sagrados para que o verde da floresta de onde vivemos continue a florescer ao amanhecer de cada dia. Cultivar nossas raízes, para que tenhamos uma identidade, cultura e espiritualidade que assegure nossos valores tradicionais. Enfim, que continuemos para sempre yawanawa, que significa povo da queixada.

Fonte: Blog do Luciano

terça-feira, 5 de maio de 2015

A Corrupção dos Partidos Eleitoral sobre análise do TRE


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Análise dos 317 políticos brasileiros que foram impedidos de se candidatar pela lei Ficha Limpa traz uma descoberta interessante: o PSDB é o partido político mais sujo do Brasil. Veja o ranking

Os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) barraram até agora a candidatura a prefeito de 317 políticos com base na Lei da Ficha Limpa, de acordo com levantamento feito nos 26 Estados do país.
O número deve aumentar, já que em 16 tribunais ainda há casos a serem julgados. Entre esses fichas-sujas, 53 estão no Estado de SP.
Na divisão por partido, o PSDB é o que possui a maior “bancada” de barrados, com 56 candidatos –o equivalente a 3,5% dos tucanos que disputam uma prefeitura. O PMDB vem logo atrás (49). O PT aparece na oitava posição, com 18 –1% do total de seus postulantes a prefeito.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

‘O PT tem que se cuidar para não perder a vergonha’

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A família Viana tem história no Acre. Wilde, pai de Sebastião e Jorge, fez uma longa carreira política no estado antes de seus filhos se apoderarem do Palácio Rio Branco por quatro mandatos (Jorge, de 1998 a 2006 e Tião desde 2011). Engenheiro florestal, o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, começou na política empunhando a bandeira do meio ambiente nos anos 80, ao lado de Chico Mendes, morto em 1988. Naquele período, fundou o Partido dos Trabalhadores no Acre e pavimentou o caminho que fez dele prefeito, governador e senador. Viana orgulha-se de pertencer ao PT, por acreditar que os governos Lula e Dilma “melhoraram a vida do povo”. Mas faz mea culpa e reconhece que seu partido erra: “O PT se arrisca quando repete na política aquilo que os velhos partidos fazem. O PT tem que se cuidar para não perder a vergonha”. Viana também tece duras críticas ao sistema político brasileiro: “O custo da governabilidade é alto demais para quem governa. Este modelo de coalizão está com a validade vencida”.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN), disse que o pior do PT é o aparelhamento do governo. Como o sr. vê essa provocação?
O presidente Renan não bateu no PT. Ele bateu numa modelagem política que, inclusive, muitas pessoas o acusavam de praticar. Ele bateu muito no atual PMDB e fez uma dura crítica ao próprio ministro da articulação institucional da Presidência, que é o vice-presidente Michel Temer. Ele foi duro nessas críticas, ao dizer que o PMDB está seguindo um caminho de só pensar nos recursos humanos, em nomeações, e teria o risco de virar o partido da boquinha, segundo palavras dele. Mas é realmente importante que haja, neste momento, uma relação melhor entre PT e PMDB.
O que explica as constantes provocações de Renan, e também do presidente da Câmara, Eduardo Cunha?
O PMDB é um bicho de muitas cabeças. É um partido importante, ninguém governa sem o PMDB. Mas governar com o PMDB é muito difícil. Há vários líderes no partido, Temer é um grande líder, Renan é um grande líder, Eduardo Cunha outro, os ministros Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Henrique Alves (Turismo) também. O que existe hoje é um jogo de pesos envolvendo o PMDB da Câmara e o PMDB do Senado, e isso aflora nesse posicionamento do presidente Renan. Há problemas nas relações PMDB-governo, mas há mais problemas entre eles mesmos, do PMDB. O presidente Renan é crítico, é duro. Cobra do governo, cobra da Câmara. Ganha prestígio no Senado quando propõe uma agenda que busque maior protagonismo para a Casa. E uma coisa a gente não pode deixar de reconhecer: o presidente Renan entrega a mercadoria. Ele assume compromissos e, na hora H, entra e ajuda a resolver aquilo que é de interesse do próprio governo. Claro, com a independência que o presidente do Senado precisa ter. Isso é importante. Já na Câmara, não vejo esse ambiente.
Falta cooperação entre os partidos para votar temas de interesse do país?
O presidente Renan, recentemente, disse algo interessante: o Congresso também é governo, governa o país. Eu acho que isso todos os congressistas têm que entender. Não podemos ficar cumprindo um papel, como a oposição tenta estabelecer, de que o Parlamento é o lugar de criar obstáculos, de dificultar a vida do governo. Porque, com isso, a oposição faz um desserviço ao Brasil. A oposição se apequenou muito, não tem protagonismo de nada. Hoje, a oposição tem apenas uma proposta: tentar impedir que o governo dê certo. Com isso, trabalha para que o Brasil não dê certo.
Há quem diga que o partido que faz oposição, de fato, é o PMDB. Como o sr. responde a isso?
De alguma maneira isso tem razão. Eu também diria que, em alguns momentos, o papel que caberia à oposição no país acaba sendo exercido pela imprensa. Os jornais, as TVs, as novas mídias assumem um protagonismo que deveria ser assumido pela oposição, que está sempre a reboque de alguém ou de algum tema levantado pela imprensa. E olha que a oposição tem quadros importantes, mas eles não conseguem avançar em nada. O Aécio Neves é uma liderança importante, mas se apequena quando opta por um discurso de baixo nível. Poderia estar propondo grandes temas para o país debater. Aécio deveria falar menos e falar de temas importantes. A oposição parece não querer que 2014 acabe, mas 2014 acabou em 31 de dezembro. As eleições ficaram para trás. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já deu o seu veredicto. Mas a oposição teima em querer que 2014 não termine e que 2015 não comece.|
Semana passada, o TSE condenou o PT a pagar R$ 4,9 milhões por irregularidades na campanha da presidenta Dilma Rousseff em 2010. Essa nova condenação abre brecha para pedidos de impeachment da presidenta?
Hoje em dia, posições parciais, sejam do TCU (Tribunal de Contas da União), sejam do TSE ou de outros tribunais, são consideradas sentenças obrigatórias. Isso é lamentável. A oposição faz muito isso. Eu não tenho dúvida de que é uma irresponsabilidade alguns componentes da oposição (porque eu não posso generalizar) pedirem o impeachment da presidenta Dilma. Isso é um desserviço ao país. A oposição tem um papel muito importante nesta hora, em que o país precisa debater saídas para a crise econômica, saídas para voltar a crescer, para que a gente possa transformar a educação na maior prioridade, para que se tenha o desenvolvimento regional acontecendo. Mas não. A oposição insiste num discurso de uma nota só, desqualificado e sem nenhum protagonismo.
Como o governo deve reagir aos questionamentos pelo impeachment?
O que eu acho é que o governo tem que governar. Nós demoramos a entender isso, o que foi um erro. A presidenta Dilma errou, por exemplo, no timing de estabelecer um diálogo com a sociedade, após a eleição. Ela falava 10 minutos por dia no processo eleitoral. Depois, passou dois meses sem dar palavra nenhuma. Ficaram valendo só as versões de quem não se conformava com o resultado das eleições. Nós erramos ali.
E como fazer o governo deslanchar após essa paralisia que se viu nesses quatro meses?
Eu sei que a presidenta tem importantes e grandes projetos para o país, sobretudo na área de infraestrutura, que podem ser a melhor sustentação para a gente enfrentar a crise. Não se enfrenta a crise econômica com recessão. A gente tinha que seguir o exemplo dos EUA, que criaram mecanismos inteligentes de retomada de investimentos, de parcerias com o setor privado. A presidenta está fazendo isso, ao anunciar novas concessões, que não são privatizações. São concessões de serviços, com regras muito claras que contemplam portos, aeroportos, ferrovias.
O governo precisa assumir seus próprios erros?
A gente tem que assumir esse atraso em fazer o segundo mandato deslanchar como um erro, porque se a gente não assumir que está errando em alguns aspectos, a gente não ganha confiança da sociedade, Na questão do ajuste econômico, que, no fundo, é uma tentativa de atravessar este momento, não temos sido muito felizes em estabelecer esse diálogo, apesar do esforço do ministro Joaquim Levy (Fazenda), do ministro Nelson Barbosa (Planejamento) e de outros ministros. Mas esse é um debate que a gente não pode perder. Se necessário, tem que falar toda semana em cadeia de rádio e TV, para poder traduzir esses ajustes para a sociedade.
O sr. acha que essas medidas provisórias do ajuste vieram na hora errada?
Vieram na hora certa. Isso dá confiança para os investidores, faz com que o Brasil seja respeitado pelas agências que analisam o risco. Mas elas vieram desacompanhadas de um bom discurso, de uma boa argumentação. No fundo, nós estamos fazendo ajustes que implicam na vida do andar de baixo. Elas vieram desacompanhadas de medidas do andar de cima. Nós tivemos um bom discurso durante a campanha. Agora, precisamos construir um bom discurso durante o governo. Por isso que eu penso que nós temos que reconhecer os erros, sem deixar de enfatizar tudo aquilo de bom que temos feito. Afinal, o PT foi líder desse projeto que mudou o Brasil. No fim, a história vai nos julgar bem, não tenha dúvida.
No fim, a história absolverá o PT?
Ela fará um justo julgamento, disso eu não tenho dúvidas. Mas nós estamos precisando ter um bom julgamento da sociedade agora. Tenho certeza de que a presidenta se sairá muito bem do seu segundo mandato, diferentemente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se saiu muito mal. Ela vai sair mais parecida com Lula do que com Fernando Henrique. Lula saiu extraordinariamente bem. Se ele quisesse fazer como fizeram outros líderes de partidos, como o PSDB, poderia ter mudado as regras do jogo para ficar mais tempo na Presidência. Não fez. Preferiu cumprir as regras do jogo. Então, esses são os legados que o PT deixa para o país. Muitas mudanças boas para a população e sempre respeitando as regras do jogo, de forma sempre muito republicana. Quem não tem sido republicano conosco são alguns setores da Justiça e da oposição.
Há algum complô desses setores para alijar o PT do poder?
Não diria que é um complô. Há um inconformismo, uma ação que beira o preconceito com os nossos governos. Tem uma parcela da elite, que mesmo tendo sido mais foi beneficiada durante os governos de Lula e de Dilma, não se conforma com a gente governando. O governo da presidenta Dilma tem dia e hora para acabar. Com isso, nós completaremos 16 anos governando o Brasil. Só que o ex-presidente Lula está livre e desimpedido. O maior líder do país está em plena forma física e intelectual e livre para, eventualmente, ser nosso convidado para ser candidato à Presidência em 2018. Eu acho que isso apavora a oposição. Deixa-os num processo depressivo, que faz com que percam a noção do papel que têm para desempenhar no país. E, obviamente, setores da elite empresarial também. Acho que nós até contribuímos para isso, com essa história de “nós e eles”. Porque, no fim, nós governamos para todos.
As conquistas sociais estão em risco, por causa da debilidade da economia?
Não acredito que haverá retrocesso nesse aspecto, nem mesmo por causa de crise econômica. Aliás, nesta crise, nós temos que preservar aquilo que é fundamental. No Brasil, os empresários ganharam fortunas com a melhoria da capacidade de compra e de renda dos brasileiros. Se esse ciclo passou, temos que iniciar novo ciclo, que é gerar empregos qualificados e fortalecer nossa indústria. Para isso, precisamos modernizar relações de trabalho, de tributos, criar competitividade. O que não pode é querer, num momento de crise, resolver todos os problemas sacrificando os trabalhadores.
Atualmente, no Congresso, há várias medidas que reduzem direitos trabalhistas.
Há, de fato, medidas propostas por setores mais conservadores que não respeitam as mudanças que o Brasil experimentou nos anos 40, com Getúlio Vargas (que instituiu a Consolidação das Leis do Trabalho, CLT). Alguns setores propõem para o país medidas medievais. Nós precisamos modernizar a legislação trabalhista criada por Getúlio trazendo-a para o século 21, e não levando-a de volta ao século 19. Sinceramente, eu espero que não prospere nenhuma dessas intenções de querer danificar nossa política de conquistas sociais usando o argumento de crise econômica — e camuflando aí os verdadeiros objetivos de intolerância com esses pobres que agora andam de avião, que passam férias na praia. Isso é bom para o país e é bom, sobretudo, para a elite. É uma pena que algumas pessoas não vejam dessa forma.
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defende que o Senado, como casa revisora do projeto da terceirização, não tenha que demorar tanto tempo para analisar o projeto. O sr. concorda com a avaliação dele?
O sr. Eduardo Cunha é presidente da Câmara; não é presidente do Senado, nem do Congresso. Então, eu acho que, nesse aspecto, para que haja harmonia no trabalho, o melhor é cada um no seu cada um. Não dá para o presidente Eduardo Cunha querer estabelecer o calendário do Senado. Dá para discutir pautas afins, isso é importante. O Senado vai aprovar a lei de terceirização, mas não pode ser do jeito que a Câmara quer. Não vamos aceitar o papel de apenas bater o carimbo numa proposta que veio com sérios problemas. Eles demoraram 12 anos para votar esse tema e agora querem pressa, aprovar do jeito que mandaram. Aquilo que abusa e passa do ponto tem que ser modificado no Senado. Permitir a terceirização de atividades-fim indiscriminadamente é inaceitável.
Ao mesmo tempo em que há uma onda crescente de conservadorismo, parece ocorrer a perda de relevância do PT no cenário nacional. A que o sr. atribui isso?
Em geral, a política está muito desmoralizada. Todo mundo reclama que, nas últimas pesquisas, a avaliação do governo era de 13%, mas se esquece que a avaliação do Congresso era de menos de 9% — é muito pior. Eu acho que nós sofremos uma perda de relevância. O próprio PT, que ainda é o partido mais admirado do país, perdeu muito prestígio, nossa admiração caiu pela metade. E diminuiu em regiões nas quais gente tinha admiração alta. O duro é a gente ver que o PT enfrentou o problema do mensalão, enfrenta agora o problema da Lava Jato, tivemos tesoureiro preso e, independentemente do juízo de avaliação sobre esses episódios, acho lamentável que fique parecendo sempre uma ação contra o PT.
O interesse seria de desmoralizar petistas e de proteger políticos de outros partidos?
Não há dúvidas. O noticiário carrega na tinta quando algo supostamente envolve alguém do PT. Agora mesmo surgiu um novo depoimento de um delator (Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras) detalhando que pagou, através de uma empresa, R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra (falecido). Trata-se do mesmo delator que ganha tanto crédito junto à Justiça e à oposição. Não tem nenhum depoimento desse delator dizendo que deu tanto dinheiro para um político de qualquer outro partido.
Há pouca atenção da imprensa a esse assunto?
Foram R$ 10 milhões para o presidente do PSDB e isso não é notícia? Quer dizer então que o delator só é bom se acusar o PT ou alguém ligado ao PT? Mas se ele acusar alguém da oposição e, principalmente, do PSDB, então ele não tem crédito algum para estar acusando? Cadê a apuração? Ao mesmo tempo, há uma caça inaceitável ao ex-presidente Lula e à presidenta Dilma. Eu acho que há sérios problemas com componentes do Judiciário e da Polícia Federal. Tem, às vezes, situações que esbarram em posições políticas e partidárias.
O juiz Sérgio Moro teria motivações políticas?
Eu não posso fazer esse juízo do juiz Moro, porque eu não vi, não li e não me informei de qualquer atitude dele nesse sentido. Mas que tem gente envolvida nesse processo suspeita de estar fazendo mau uso das suas funções, e isso já foi inclusive denunciado pela própria imprensa, isso é um fato. Eu acho que é preciso dar apoio às investigações. Todos nós, como sociedade, temos que nos somar ao juiz Moro ou a qualquer outro juiz que queira fazer o combate à corrupção. Mas não podemos rasgar as leis e as garantias. Ninguém pode prender primeiro para ver se tem culpa depois. Isso significa uma antecipação não só de um julgamento, mas de uma condenação. Isso é rasgar a Constituição. E eu acho que o Supremo Tribunal Federal (STF) merece elogio, porque retomou um pouco a situação (ao livrar da cadeia nove executivos de empreiteiras da Lava Jato). Senão, o combate à corrupção será temporário e atenderá a alguns poucos interesses, que não são os interesses do país. Devemos ter mecanismos de combate à corrupção de forma permanente. Não podemos permitir que se destrua a principal empresa brasileira. A Petrobras é responsável por 3% do PIB brasileiro, tem 85 mil empregados, movimenta uma cadeia de quase meio milhão de trabalhadores. Vejo a ação de muitos e aquilo que sai no noticiário parecendo que querem é destruir a empresa, e não fazer apuração de ilegalidades que tenham sido cometidas. Se tirarmos a corrupção da Petrobras, vai ser muito bom para o Brasil. Gostei muito da vinda do novo presidente Aldemir Bendine à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Ele passou muita segurança de que a empresa está passando por um novo processo de governança, o que nos livra desse joguete de nomeações políticas dentro da Petrobras, e de mau uso que alguns diretores e funcionários de carreira fizeram na empresa.
Mas essas nomeações não foram feitas pelo PT, que é seu partido?
Foram feitas pelo governo do PT, que trabalha numa coalizão que é fruto dessa insensatez que o Brasil vive. Em que quem ganha, não consegue governar. Só consegue governar se mudar o discurso da campanha e se mudar a base aliada da campanha. Isso é a consequência mais perversa que temos dessa anarquia que virou o Brasil com o número de partidos, de financiamento empresarial de campanha. O maior crime que se comete no Brasil hoje é querer a permanência do financiamento empresarial de campanha. Falo com convicção, porque apresentei em 2011 um projeto propondo o fim do financiamento empresarial. Também apresentei um projeto propondo tornar crime o caixa 2 e apontando caminhos para fazermos a reforma política. A reforma não sai por conta dos maus políticos que estão instalados hoje na política brasileira, que não querem que mude porque, se mudar, parte deles será mudada.
Pode dar exemplos?
Há partidos que não querem a reforma política. Estamos caminhando para ser uma Argentina em números de partidos. Só perdemos para a Argentina, que já tem 70. Temos 30 partidos e mais 30 por vir. Para muitos, candidatura é algo empresarial. Alguns partidos são criados para fazer negócio, movimenta-se muito dinheiro, vende-se tempo de televisão. E isso é lamentável, porque a política é algo muito nobre. Está desmoralizada, mas é nobre. Fui governador do Acre, fui prefeito de Rio Branco. E tenho muito orgulho do trabalho que fiz. Ajudei a melhorar a autoestima do povo do Acre. Tenho muita satisfação por ter ajudado a promover mudanças no Acre tão boas quanto o presidente Lula e a presidenta Dilma promoveram no Brasil. Quando a política é exercida com bons propósitos, muda a vida das pessoas, muda a história de um país.
Mas muitos petistas hoje têm vergonha de dizer que são petistas…
A gente tem que reconhecer que o PT se rendeu ao financiamento empresarial de campanha e à zona de conforto de não promover mudanças na política. Nós usamos a política para promover mudanças no país com um alto custo. O PT precisa sempre se perguntar se nós estamos carregando o atraso com certas alianças, ou se é o atraso que está nos carregando. Se a resposta for a segunda, não compensa estarmos neste processo. Por enquanto, acho que dá para afirmar que nós estamos carregando o atraso porque, com todos os percalços, conseguimos mudar para melhor o Brasil.
Esse atraso a que o sr. se refere seria o PMDB?
Não me refiro ao PMDB, mas a algumas propostas que a gente vê. Temos que fazer um arco de alianças muito grande. Para governar, nos unimos a partidos que têm posições antagônicas ao que sempre pregamos. A alternativa seria a ingovernabilidade. O custo da governabilidade é alto demais para quem governa. Este modelo de coalizão está com a validade vencida. Temos que inventar outra maneira de ter governabilidade.
Que arrumação seria essa?
O PT adotou uma meia-medida que é a de não mais aceitar financiamento empresarial. Ótimo. Mas eu quero acrescentar a outra metade, que é proibir que qualquer candidato petista receba doações empresariais.
Alguns analistas apontam que esse compromisso feito pelo PT, de não aceitar financiamento privado, vai prejudicar o partido nas eleições municipais de 2016. Há esse risco?
O PT se arrisca quando perde prestígio e o respeito do cidadão e dos seus filiados, quando repete na política aquilo que os outros partidos fazem. O PT tem que se cuidar para não perder a vergonha, porque é um partido que me orgulha. Tem que tomar atitudes como a defendida pelo Rui Falcão (presidente nacional do PT), de não aceitar financiamento empresarial. Não sei se serei candidato de novo algum dia. Se for, em respeito à história do PT, estabelecerei minhas regras, com ou sem reforma política. Uma delas é só aceitar recursos individuais do cidadão.
A senadora Marta Suplicy, ao deixar o partido, também falou em vergonha…
Com todo o respeito, a Marta Suplicy deveria assumir que está saindo porque tem um projeto pessoal, que não tem como realizar dentro do PT. Ela foi a pessoa que mais teve espaço no PT: foi prefeita, senadora, ministra duas vezes. Quem deu esse currículo a ela foi o PT.