quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sem apresentar novas propostas e trocando acusações, candidatos ao governo do Acre realizam o último debate

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A menos de uma semana das eleições, os quatro candidatos que disputam o governo do Acre, Sebastião Viana (PT), Márcio Bittar (PSDB), Tião Bocalom (DEM) e Antônio Rocha (PSOL) participaram na noite desta terça-feira, 30, do terceiro e último debate nestas eleições, desta vez promovido pela TV Acre, afiliada Rede Globo, mediado pelo jornalista da Rede Globo,  Júlio Mosquéra.
Com relação ao debate promovido na segunda-feira, 29, pela TV Gazeta, pouca coisa mudou.  Os oposicionistas voltaram usar a tática de troca de perguntas para isolar o candidato a reeleição Sebastião Viana, protagonizando um debate apático, com embates diretos  citando questões de saúde, segurança, endividamento e problema no setor produtivo.
O oposicionista Tião Bocalom abriu o primeiro bloco, questionando Bittar pelo endividamento do Acre. O tucano apresentou os números do endividamento, destacando que apesar de o governo trazer muitos recursos, os problemas de saúde, segurança e produção persistiram. Bocalom falou ainda da fábrica de tacos, que de acordo com ele, foi um investimento que não foi revertido em benefícios para o Estado do Acre desde a sua inauguração.
Visivelmente irritado, Sebastião Viana pediu considerações de Bocalom, sobre o endividamento do Estado e a falta de recolhimento de seis anos de desconto previdenciário. O oposicionista voltou a afirmar que o governo deixou de recolher os descontos previdenciários. Viana retrucou e disse que nunca houve falta de recolhimento, afirmando que Bocalom não sabe o que é divida previdenciária, nem conhece as regras previdenciárias.
A indenização dos Soldados da Borracha também fez parte do repertório de questionamento dos oposicionistas. Antônio Rocha questionou Bittar sobre a união homoafetiva. “O homem nasceu para mulher, como a mulher nasceu para o homem”, disse Bittar ao afirmar seus princípios cristãos. O tucano disse que não discrimina homossexuais e destacou que pretende fazer uma administração para todos. “O governo não pode entrar na vida privada das pessoas”.
A habitação popular também também foi citada no debate entre os candidatos. Sem poder perguntar para Márcio Bittar, o candidato Tião Bocalom fez um bate-bola com o nanico Antônio Rocha. Bocalom acusou a administração petista de copiar seu projeto de habitação popular, que teria sido batizado de Cidade do Povo. Rocha, obrigatoriamente, teve que perguntar a Sebastião Viana sobre suas propostas para geração de emprego e renda para os jovens.
Sebastião Viana aproveitou as perguntas obrigatórias, para disparar contra a oposição, afirmando que fez mais na área de emprego e renda do que todas as administrações da oposição. “Formamos 74 mil pessoas no ensino profissionalizante, quando assumi tinham apenas três distritos industriais, hoje temos 12” – enquanto toda oposição governava não chegava a metade do que ele fez. Viana enfatiza que gerou emprego na área de habitação.
Obrigado a questionar o candidato petista, Márcio Bittar indagou Sebastião Viana pelos projetos de preservação ambiental. Para Viana, o Acre é comprometido com os recursos naturais e a qualidade de vida. O tucano retrucou Viana, com a questão da cobertura do abastecimento de água que não chegaria a 50%. O petista enfatizou que o tucano Bittar não debatia com a verdade ao informar que o estado teria apenas 50% de abastecimento. “Temos 92% de cobertura”.
Na área de infraestrutura, Sebastião Viana debateu com Antônio Rocha. Apesar das constantes reclamações de condutores, o candidato petista enfatizou que os motoristas não encontram buracos na BR-317 e BR-364. Rocha desconstruiu o discurso de Viana, falando dos problemas técnicos do programa Ruas do Povo, que de acordo com ele, não alcançou as metas estipuladas pelo governo, além de não atender especificações técnicas na execução das obras.
O candidato do PSOL voltou a jogar duro com os adversários. Rocha comparou Márcio Bittar a José Sarney ao especular quantas vezes o tucano veio ao Acre, em seus quatro anos de mandato. Bittar acusou Rocha de preconceituoso, usando as armas que seus adversários o atacaram durante sua trajetória política. “Como acreano preciso ter certeza que não teremos o perigo de ter aventureiros na política”, disse Rocha.
As pegadinhas não foram deixadas de fora do último debate. Sebastião voltou a questionar Bittar pelo equilíbrio atuarial no regime de repartição simples da previdência. Encurralado, Bittar não respondeu e acusou Viana de apresentar números falsos e de tentar debater assuntos que não seriam de interesse público. Sebastião tentou desqualificar os oposicionistas. Para ele, Bittar e Bocalom demostram desconhecimento até mesmo na questão previdenciária.
Bocalom e Rocha ainda tentaram manter o tema “saúde de primeiro mundo” num embate direto, mas os argumentos repetitivos dos oposicionistas não permitiu que o assunto repercutisse. Sebastião Viana tirou a saúde do foco, pedindo uma análise de Bocalom, da segurança pública no Acre e no Brasil. “Quero saber é da nossa casa, como está a segurança pública do Acre”, disse Bocalom ao propor a contratação de mais de três mil policiais.
Sebastião Viana também mostrou suas armas contra Bittar e Bocalom. O petista  ressalta que valorizou os servidores em todas as áreas e cutucou a proposta de Bittar, de reduzir o número de servidores em cargos de confiança. Para manter os votos dos servidores, Viana agradeceu a dedicação em todas as pastas de sua administração. Rocha retrucou prometendo reduzir o número de cargos comissionados e realizando concursos públicos. “Cargos de confiança vão compor apenas o primeiro escalão, do segundo em diante iremos valorizar o servidor públicos”, disse o candidato do PSOL.
No final do programa, Bocalom fez dobradinha com Antônio Rocha para falar de desenvolvimento e produção. Rocha acredita que a saída para o setor produtivo é incentivar os pequenos agricultores. Bocalom falou de sua propostas de “produzir para empregar”, utilizada nas suas últimas campanhas, como a redenção para o setor econômico e a saída para geração de novos postos de trabalho nos 22 municípios do Acre.
A última pergunta do debate, obrigatoriamente, foi feita ao governador Sebastião Viana. De acordo com Bittar, pesquisas revelam que 80% da população colocaria a saúde como o principal problema do governo. “Coloca a saúde como uma causa de relação de amor ao próximo”, disse Viana ao reconhecer que a saúde ainda precisa avançar. Ele apresentou os números de mutirões de tratamento. Bittar acusou o petista de fazer um governo midiático ao contestá-lo.
O último debate foi uma cópia retocada dos demais realizados por outras emissoras. Os candidatos não apresentaram novas propostas nem novas denúncias contra a atual gestão. Com a vantagem dos números dos institutos de pesquisas a seu favor, apesar de isolado, Sebastião Viana fez pegadinhas de assuntos técnicos, defendeu sua administração, tentou desqualificar os adversários, mas não apresentou nenhuma nova proposta. Ao contrário do último debate, a Operação G7, que prendeu secretários e empreiteiros no passado, nem foi citada pelos oposicionistas.
Fonte Ray Melo, da editoria de política de ac24horas

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