sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A BAIXARIA NÃO RENDE VOTOS

Os números da última pesquisa do Ibope confirmam que a política da pancada e dos ataques à dignidade de adversários não funcionou na disputa eleitoral deste ano, no Acre. A liderança confortável do candidato ao Senado, Gladson Cameli (PP) e do candidato ao governo do Acre, Sebastião Viana (PT) comprovam que o eleitor não está interessado nas brigas pessoais e nas campanhas difamatórias, mas quer ouvir propostas que possam trazer algum benefício para o Estado.
A Frente Popular do Acre (FPA), coligação capitaneada pelo PT, acertou na condução do processo eleitoral de Viana, colocando o candidato para falar de seu trabalho desenvolvido ao longo de quase quatro anos de administração. O governador que concorre à reeleição, não partiu para o ataque aberto aos seus adversários (pelo menos no horário eleitoral gratuito), deixando as bordoadas nas mãos dos candidatos proporcionais que fizeram o trabalho sujo.
Caso semelhante aconteceu com Gladson Cameli, que apesar de castigado por grandes nomes da FPA, como Jorge Viana (PT) – o prefeito de Rio Branco, Marcus Viana (PT) e Perpétua Almeida (PCdoB), que se alternaram nas tentativas de desqualificar as peças de mídia de Cameli, que davam conta da distribuição de recursos para todo o Acre, fracassaram. A pancadaria surtiu resultado inverso, impulsionando o progressista que não recuou, mas não devolveu os ataques.
No inicio da campanha, antes de se iniciarem os ataques e citações sobre Gladson Cameli, ele estava atrás de sua adversária na preferência de votos. Um dos episódios que alavancou o crescimento de Cameli, foi o quadro da “escolinha” que tinha como único objetivo, desqualifica e ridiculariza o candidato. A candidata Perpétua Almeida também contribuiu em vários momentos da campanha, utilizando seu tempo de TV para alfinetar seu adversário.
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Se os números de intenção de votos das pesquisas dos institutos Ibope, Vox Populi e Delta se confirmarem, os candidatos de oposição terão a oportunidade de fazer uma ampla reflexão sobre o desperdício de preciosos minutos da propaganda eleitoral, nos questionamentos e ataques que eles fizeram em relação a Operação G7 – que levou à cadeia, secretários, empresários e servidores ligados a Sebastião, problemas na segurança pública e na saúde.
Será que finalmente, o eleitor adquiriu discernimento para escolher as propostas e ignorar as denúncias e acusações pessoais? A resposta para esta pergunta poderá sair apenas nas eleições de 2018, quando um provável embate de novos nomes acontecerá. A lição que fica nas eleições deste ano, é que aos poucos, o eleitor vem adquirindo sabedoria para escolher seus representantes com base em propostas, deixando a boataria e o denuncismo em segundo plano.
Se eleitos, Gladson Cameli e Sebastião Viana confirmam uma mudança significativa no comportamento do eleitorado do Acre. Cameli não perdeu o equilíbrio e, mesmo tentado a partir para o contra-ataque, se manteve lúcido nas propostas. Viana apesar de perder o equilíbrio em alguns momentos dos debates, soube usar seu espaço no horário eleitoral. Principalmente, em seu último programa, quando apresentou avanços significativos na humanização da saúde.
O comportamento dos dois candidatos também seria fruto das escolhas de suas equipes de campanha. Nem sempre o apoio irrestrito aos atos do candidato significa acerto nas estratégias de campanha. Foi evidente que o governador deixou algumas peças mais radicais de seu governo fora da campanha. Cameli também abriu mão de correligionários mais afoitos, seguindo um script trabalhado com coerência pelas boas cabeças de sua coligação.

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