quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Telexfree: divulgador que entrar com ação ficará para o fim da fila, diz juíza

Bloqueio às contas da empresa, suspeita de pirâmide, completa 100 dias nesta quinta-feira.

Os divulgadores que entraram com a ação contra aTelexfree  para receberem primeiro podem ficar para o fim da fila, e só serem ressarcidos após o rateio pedido na ação coletiva movida pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). Se sobrar algum.
“Eu determinei a indisponibilidade [ de bens da Telexfree ] para garantir a ação coletiva [ movida pelo MP-AC ]. Então, esses valores estariam como que à disposição da ação coletiva. Se houver um remanescente, podemos disponibilizar[para as ações individuais ]”, diz, em entrevista aoiG , Thaís Khalil, juíza da 2ª Vara Cível de Rio Branco que há 100 dias determinou o bloqueio das atividades e contas da Telexfree.
O congelamento foi pedido pelo MP-AC, que acusa a empresa de ser uma pirâmide financeira em que as taxas de adesão pagas por quem entra por último são usadas para remunerar quem entrou primeiro. A negócio tem por volta de 1 milhão de associados no Brasil. Os advogados negam irregularidades.
Na ação coletiva, os promotores pedem a extinção da Telexfre e o uso do dinheiro da empresa – estima-se que cerca de R$ 600 milhões tenham sido localizados – para ressarcir os divulgadores.
Essa ação, porém, ainda aguarda julgamento, o que não deve ocorrer em 2013. E, enquanto uma decisão não é tomada, dezenas de divulgadores têm entrado na Justiça individualmente para tentar receber as verbas que julgam lhes serem devidas. Em julho, já havia 176 processos que cobravam R$ 2,8 milhões da Telexfree , como o iG mostrou.
Ações individuais
Com as s ações individuais, os divulgadores também tentam obter valores maiores do que possivelmente obteriam na ação coletiva movida pelo MP-AC.
Alguns têm conseguido decisões favoráveis. Em julho, um advogado de Rondonópolis (MT) conseguiuuma decisão favorável no valor de R$ 101 mil . A juíza responsável pelo caso pediu à 2ª Vara Cível de Rio Branco que fizesse a reserva da quantia para o divulgador.
Thaís Khalil afirma já ter recebido “dezenas” de comunicados semelhantes, vindos de 16 localidades diferentes. Os pedidos, porém, serão recusados, em ofícios que em breve serão enviados aos juízes responsáveis pelas decisões.
“Eu recebi dezenas de solicitações de juízes de diversa comarcas”, diz a juíza. “Mas eu digo o seguinte: os valores e o patrimônio que foram declarados indisponíveis o foram para garantir a eventual execução da ação coletiva. Esses valores vão se prestar a essa garantia em caráter de preferência. Ao final, se houver uma execução (…) e houver saldo remanescente, aí eu disponibilizo.”
De fora
A juíza também afirma que quem entrou com ação individual não vai ser beneficiado em caso de vitória do Ministério Público na ação coletiva contra a Telexfree.
“Se alguém ajuizou uma ação individual e pede a suspensão dessa açao individual, aproveita a ação coletiva. Se não solicita, a questão dele vai ser tratada na ação individual e, se procedente a ação civil pública, ele não vai se aproveitar”, diz Thaís. “Se essas pessoas não solicitaram [ a suspensão ] é porque eles estão abrindo mão da garantia da ação coletiva.”
Para aproveitar a ação coletiva, os divulgadores deverão  também se habilitar no processo depois que houver uma decisão final – por enquanto, todos os pedidos estão sendo negados. Thaís afirma que o caso já está em “fase avançada”, mas evita se comprometer com prazos.
Para Clito Fornaciari Júnior, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP), como o MP-AC conseguiu o bloqueio das contas da Telexfree antes, tem prioridade em relação aos às ações individuais cujas decisões vierem depois.
“É uma questão prática de quem chegou primeiro”, diz o advogado, ressaltando porém que nada impede a abertura de processos individuais – uma maneira de garantir o ressarcimento caso o MP-AC seja derrotado na ação coletiva.
Samir Badra Dib, advogado de Rondonópolis que conseguiu uma decisão favorável de R$ 101 mil, discorda da interpretação da juíza Thaís.
“A ação coletiva é para a extinção da Telexfree e devolução em partes iguais. A minha liminar garante o ressaricmento integral. Uma não vale mais do que a outra”, afirma o advogado.
Mudança de hábitos
As investigações contra a Telexfree chamaram a atenção para a existência, no Brasil,  de dezenas de negócios suspeitos de serem pirâmides financeiras mudou sua rotina. Uma força tarefa de promotores de Justiça e procuradores da República investigam cerca de 80 empresas.
Para Thaís, o caso significou uma mudança das rotinas profissional e pessoal. Com mais de 42 mil páginas, os dois processos (a ação que levou à liminar e a ação coletiva) têm exigido, sozinhos, metade to tempo de trabalho da juíza, responsável por uma Vara que tem mais de 4,3 mil ações.

“Agora, no meu cotidiano [pessoal], interveio em razão das ameaças . Eu acabo precisando ter cuidados com segurança que eu nem tinha tanto. E, realmente, é desagradável

César Messias recebe prefeitos de Assis Brasil e Senador Guiomard

Programa de regularização foi um dos temas da reunião (Foto: Angela Peres/Secom)
Programa de regularização foi um dos temas da reunião (Foto: Angela Peres/Secom)

O vice-governador César Messias recebeu nesta quarta-feira, 25, os prefeitos de Assis Brasil, Humberto Gonçalves Filho, e de Senador Guiomard, André Maia, para tratar de assuntos pertinentes à regularização fundiária das propriedades de Senador Guiomard e à doação do posto de fiscalização de mercadorias de Assis Brasil para a Receita Federal. Também estiveram presentes no gabinete civil, secretários, deputados e outras autoridades.
Na ocasião, o governo do Estado, por meio do Instituto de Terras do Acre (Iteracre), em parceria com a prefeitura de Senador Guiomard, formalizou o compromisso de regularizar as propriedades urbanas e rurais do município. Segundo informações do diretor-presidente do Iteracre, Glenilson Figueiredo, estima-se que sejam entregues oito mil títulos definitivos. “O estado vai entrar com a parte de profissionais e técnicos que agora vão fazer o planejamento, fazer o levantamento das necessidades, para que o trabalho seja realizado em até 30 dias”, comentou.
Em outro momento, o prefeito de Assis Brasil Humberto Gonçalves Filho, o “Doutor Betinho”, falou acerca da cessão da aduaneira do município para a União, que deverá ser contemplada com a ampliação e estrutura de alfândega modelo. Uma das cinco que serão implantadas no Brasil. A delegada adjunta da Receita Federal no Acre, Maíra Nery, explicou: “Agora que o terreno pertence à União, vamos poder melhorá-lo e poderão ser feitos investimentos e contamos com a possibilidade de implementar lá uma das cinco aduanas modelos, uma vez que o comércio tem crescido muito nessa área fronteiriça”.