quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Júri do caso Eloá retorna com interrogatório de Lindemberg

Plenário onde acontece o julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, no Fórum de Santo André, Grande SP – Foto: André Monteiro/Folhapress
Plenário onde acontece o julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, no Fórum de Santo André, Grande SP – Foto: André Monteiro/Folhapress

O julgamento de Lindemberg Alves Fernandes foi retomado por volta das 14h10 desta quarta-feira, após o recesso de almoço, com o interrogatório do réu. Momentos antes, a advogada de defesa havia dito que ele está calmo, tranquilo e que seu depoimento será feito com lisura.
A advogada Ana Lúcia Assad, porém, não quis antecipar qual seria a versão de Lindemberg. Essa será a primeira vez que ele fala sobre o crime que resultou na morte de sua ex-namorada Eloá Pimentel, 15, após ter sido mantida em cárcere privado por mais de cem horas em 2008.
Ao entrar no plenário na manhã desta desta quarta-feira, Lindemberg sorriu para o grupo de familiares que acompanha o julgamento. Os irmãos e a mãe de Eloá também estão na plateia. Na entrada do fórum, o irmão mais velho da garota, Ronickson Pimentel, afirmou que espera pela condenação de Lindemberg.
Mais cedo, ocorreu o depoimento da última testemunha, o tenente Paulo Sérgio Squiavo. Ele liderou a equipe do Gate durante a invasão do apartamento em que a Eloá foi mantida em cárcere. Durante a invasão, a garota e sua amiga Nayara Rodrigues foram baleadas. Eloá morreu após ser socorrida.
Segundo o tenente, a equipe responsável pelo gerenciamento da crise disse que as negociações não estavam avançando e que Lindemberg havia manifestado disposição de matar a refém. Com isso, foi determinado que se houvesse “um risco insuportável às vítimas” a equipe tática deveria intervir.
RELEMBRE O CASO
Eloá Pimentel, 15, foi rendida pelo ex-namorado no dia 13 de outubro de 2008 e mantida em cárcere privado por mais de cem horas dentro do apartamento em que morava em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André.
Na ocasião, a adolescente estava em companhia de três amigos –dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara –também com 15 anos– que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.
O desfecho do caso ocorreu na noite do dia 17 de outubro quando a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel. A acusação diz que o rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.
Durante as negociações, Lindemberg também teria atirado contra o sargento da PM Atos Valeriano. Ele foi o primeiro PM a chegar ao local e negociou a rendição de Lindemberg por cerca de 22 horas, até que o Gate assumisse.
Lindemberg responde por 12 crime. Entre eles estão homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara e contra o sargento Atos Valeriano), cárcere privado (contra Eloá, contra os dois amigos e duas vezes contra Nayara, por ter retornado ao cativeiro) e por disparos de arma de fogo.
Lindemberg e Eloá namoraram por três anos e estavam separados havia um mês quando ocorreu o crime. (Folha)

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