domingo, 4 de dezembro de 2011

Expedição de Euclides da Cunha ao Rio Purus



EUCLIDES DA CUNHA, DOS SERTÕES PARA AMAZÔNIA 

A Expedição
Em 1904 Euclides foi nomeado pelo Barão do Rio branco, chefe da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus, tendo como função elaborar um mapeamento cartográfico das cabeceiras do rio Purus, auxiliando, assim, na definição das fronteiras do Brasil com o Peru. Euclides partiu com a missão de assessorar a diplomacia dos dois países, já que a área era palco de conflitos entre tropas peruanas e seringueiros brasileiros. No entanto, para Euclides da Cunha, o mais importante era conhecer profundamente o Brasil e desvendar em sua mente a “terra sem história”. 

Em janeiro de 1905 Euclides partiu para a Amazônia, chegando à foz do Rio Amazonas e passando pela cidade de Belém, antes de chegar à Manaus onde permaneceu 3 meses à espera de que a equipe peruana estivesse pronta para partir rumo ao Purus. 
Com o atraso da viagem, a expedição partiu na época da vazante do rio, o que acarretou muitos problemas de navegação. Entre estes problemas podemos citar o fato de terem que abandonar as lanchas a vapor, tendo que fazer até mesmo parte do percurso a pé, arrastando canoas (principalmente próximos às cabeceiras do Purus , quando tiveram que transportar por cerca de 70 cachoeiras arrastando as canoas), o naufrágio do barco com os víveres e a desistência de muitos homens, até por questão de saúde. Ao final, Euclides precisou obrigar os que permaneceram com ele a seguirem até o final, fazendo uso de sua autoridade de chefe da expedição. 
Euclides voltou ao Rio de Janeiro no inicio de 1906, com a saúde debilitada por contrair malária na Amazônia, somando-se à sua saúde já precária devido à tuberculose contraída na infância. O reconhecimento hidrográfico e os mapas produzidos por Euclides na expedição permitiram ao Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores, resolver, em 1909, as questões de fronteira com o Peru. 

As impressões de Euclides sobre a Amazônia – Fragmentos dos escritos amazônicos 
(Destacamos alguns fragmentos de textos – que constam em “A margem da História” - que nos permitem ver a Amazônia pelo olhar de Euclides da Cunha) 

1- (...) “Toda a Amazônia, sob este aspecto, não vale o segmento do litoral que vai de Cabo Frio à Ponta do Munduba.” 

É, sem dúvida, o maior quadro da Terra; porém, chatamente rebatido um plano horizontal, que mal alevantam de uma banda, à feição de restos de uma moldura que se quebrou (...)” 
2- “A impressão dominante que tive, e talvez correspondente a uma verdade positiva, é esta: o homem, ali, é ainda um intruso impertinente. Chegou sem ser esperado nem querido — quando a natureza ainda estava arrumando o seu mais vasto e luxuoso salão. E encontrou uma opulenta desordem...” 
3- “O rio, multífluo nas grandes enchentes, vinga as ribanceiras e desafoga-se nos plainos desimpedidos. Desarraiga florestas inteiras, atulhando de troncos e esgalhos as depressões numerosas da várzeas; e nos remansos das planícies inundadas, decantam-se-lhe as águas carregadas de detritos, numa colmatage plenamente generalizada. Baixam as águas e nota-se que o terreno cresceu; e alteia-se de cheia em cheia, aprumando-se as “barreiras” altas, exsicando-se os pantanais e “igapós”, esboçando-se os “firmes” ondeantes, para logo invadidos da flora triunfal... Até que num só assalto, de enchente, todo esse delta lateral se abata.” 
4- Diante do homem errante, a natureza é estável; e, aos olhos do homem sedentário, que planeie submetê-la à estabilidade das culturas, aparece espantosamente revolta e volúvel, surpreendendo-o, assaltando-o por vezes, quase sempre afugentando-o e espavorindo-o. 

5- “Realmente, o Purus, um dos mais tortuosos cursos d’água que se registram, é também dos que mais variam de leito. Divaga consoante o dizer dos modernos geógrafos. A própria velocidade diminuta, que adquiriu e vai decrescendo sempre até ao quase rebalsamento, nas cercanias da foz, aliada à inconsistência dos terrenos aluvianos, formados por ele mesmo com os materiais conduzidos das nascentes, determina-lhe este caráter volúvel. Às suas águas, derivando em correntezas fracas, falta a quantidade de movimento necessária às direções intorcíveis. O mínimo obstáculo desloca-as. Um tronco de samaúma que tombe de uma das margens, abarreirando-se ligeiramente, desvia o empuxo da massa líqüida contra a outra, onde de pronto se exercita, menos em virtude da força viva da corrente que da incoerência das terras, intensíssima erosão de efeitos precipitados.” 
6- “Entre um curso d’água e outro, a faixa da floresta substitui a montanha que não existe. É um isolado. Separa. E subdividiu, de fato, em longos caminhos isolados, as massas povoadoras que demandaram aquela zona. 
Viu-se então, de par com primitivas condições tão favoráveis, este reverso: o homem, em vez de senhorear a terra, escravizava-se ao rio. O povoamento não se expandia: estirava-se . 
Progredia em longas filas, ou volveria sobre si mesmo sem deixar os sulcos em que se encaixa tendo a imobilizar-se na aparência de um progresso ilusório, de recuos do aventureiro que parte, penetra fundo a terra e, explora-a e volta pelas mesmas trilhas” (...) 
7- “Os torcicolos, impostos pelas linhas mais altas das pequenas vertentes deprimidas, sente-se um estranho movimento irrequieto, de revolta. Trilhando-os(*), o homem é de fato, um insubmisso. Insurge-se contra a natureza carinhosa e traiçoeira, que o enriquecia e matava.” 
(*) varadouros - atalhos, por terra, de um braço do rio ao outro 

Dedicatória (1905)

Euclides da Cunha (1866-1909)

Se acaso uma alma se fotografasse
de sorte que, nos mesmos negativos,
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face;

E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos... Se a emoção que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse
Mesmo em ligeiros traços fugitivos;

Amigo! tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando - deste grupo bem no meio -

Que o mais belo, o mais forte, o mais ardente
Destes sujeitos é precisamente
O mais triste, o mais pálido, o mais feio.

SANTA ROSA DO PURUS, FICA LOCALIZADO AS MARGENS DIREITA DO RIO PURUS, FAZ FRONTEIRA COM PERU. O MUNICÍPIO PERUANO MAS PRÓXIMO DE SANTA ROSA É PORTO ESPERANÇA,  UM DIA DE VIAGEM DE BARCO.

Foto: Praça central do Município de Porto Esperança -Peru
Foto: Rio Purus que banha Santa Rosa do Purus, Manoel Urbano e Boca do Acre,
 e desaguá no Rio Amazonas 
 Foto: Porto de Santa Rosa do Purus, as embarcações são os principais
meio de transporte.
Foto: Dezembro de 2011 as águas do Rio Purus começão 
a subir, facilitando o transporte fluvial.


Encontros de amigos nos finais de semana.

Foto: Tomando todas nos finais de semana na casa do Cocão
Foto: Família e amigos reunidos 
Foto: Antonio Menezes, Luiz Pinheiro (cocão) e Rosimar
se encontram para tomar uma cerveja a tira gosto de Tilapa  


Foto: Orla Fluvial de Santa Rosa do Purus (clike na foto para ampliar) 

Foto: As águas do Rio Purus quase banhando a Rua Profiro de Moura

2 comentários:

  1. Que eu me lembre, Santa Rosa do Purus, fica do lado ESQUERDO do Rio Purus, já que se considera que um lugarestar do lado direito ou esquerdo do rio, quando o Rio estar subindo

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  2. De João Narcisio para anônimo burro ou analfabeto.

    para se especificar o que é margem esquerda ou direita de um rio tem que se verificar o seu rumo, isto é para onde este rio corre.
    como todos os rio correm em direção ao mar voce deve se posicionar de frente para onde para onde ele esta correndo e de costas para a sua nascente ai voce vai verificar qual das margens fica a direita e qual esta a esquerda.

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