quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mulheres indígenas são destaque na Conferência Municipal em Santa Rosa

Evento faz parte do processo de elaboração das políticas públicas para o gênero

A Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres do município de Santa Rosa do Purus, convocada pelo prefeito José Brasil, foi realizada no último sábado, 20, no Centro Cultural de Santa Rosa. Estiveram presentes o vice-prefeito, HilárioKaxinauá, a primeira-dama, Odeíza Gomes Coelho, a secretária municipal de Saúde, Irmã Percília de Oliveira, o presidente dos Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Francisco Cardoso, a pastora Zenaide Bento e as representantes da SEPMulheres, Joelda Pais e Maria das Dores Miranda.

Trabalhadoras rurais, donas de casa, domésticas, professoras, gestoras, todas unidas com um só propósito: melhorar a situação das mulheres. Um dos destaques da Conferência foi a participação das mulheres indígenas das quatro etnias que existem em Santa Rosa: Kaxinauás, Jaminawas, Kulinas e Ahanenawa. "Isso mostra o quanto as mulheres estão interessadas e preocupadas com a sua situação e querem mostrar suas necessidades. É muito importante essa participação", disse Joelda Pais, da SEPMulheres.
"A participação de todas essas mulheres tem um valor muito grande. Vivemos em um município distante, onde o acesso não é tão fácil e muitas delas vivem em aldeias, em seringais ainda como antigamente. Elas não têm noção de seus direitos. Aliás, elas nem sabem que têm direitos. Conferências que as façam discutir, falar de suas necessidades abrem a mente delas. Espero que esse seja o primeiro passo para uma mudança significativa para cada uma dessas mulheres", declarou o prefeito José Brasil.
Na ocasião, representantes das secretarias municipais de Saúde e Assistência Social apresentaram à comunidade como funciona o fluxo do atendimento às mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência, pactuado na Oficina do Pacto Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que a SEPMulheres e a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) realizaram no município nos dias 18 e 19 deste mês.

Um dos grandes problemas apontados pelas mulheres indígenas foi a questão do alcoolismo entre a população masculina indígena, o que gera vários tipos de violência contra as mulheres. "É necessário que o poder público trabalhe nas aldeias e entre os indígenas da zona urbana ações para enfrentar o alcoolismo", enfatizou Pais.
Outra situação apontada pelas indígenas é o desrespeito às crianças e adolescentes indígenas em relação à vida sexual. Segundo elas, as meninas são iniciadas sexualmente a partir dos nove anos em algumas etnias, e muitas começam a engravidar a partir dos 12 anos. Como alternativa, elas apontaram a realização de ações nas aldeias que discutam com a comunidade os direitos de crianças, adolescentes e mulheres.
Na zona urbana, foi sugerido ao Centro de Referência da Assistência Social (Cras) que realize palestras sobre a Lei Maria da Penha para as mulheres do município, incluindo as indígenas. "É de fundamental importância que todas elas tenham conhecimento do que é a Lei Maria da Penha. Assim elas podem se empoderar mais. A informação é uma das principais ferramentas para evitar a violência contra a mulher", disse Maria das Dores, da SEPMulheres.

Durante todo o dia foram debatidas propostas e ações para que políticas públicas para as mulheres chegassem até Santa Rosa do Purus. No fim do encontro foram eleitas duas delegadas para participar da Conferência Estadual, em setembro, em Rio Branco: a representante das mulheres indígenas da etnia Kaxinawa e a coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social.
"A cada conferência realizada nos tornamos mais fortes, mais unidas. É desse empoderamento que precisamos para, juntas, traçarmos as nossas propostas e levá-las a Brasília, em dezembro. Ter a participação das mulheres indígenas é extremamente rico e importante para a construção das nossas políticas públicas", finalizou a secretária da SEPMulheres Concita Maia.

OS MUNICÍPIOS  COM AS MAIORES POPULAÇÃO INDIGENA DO NOSSO BRASIL

O Município de Santa Rosa do Purus - Acre, está em 4º lugar com a maior população Indigena do Brasil.

 Foto: acima Indigenas Etnia Kaxinawá que representam a população indigena do Município de Santa Rosa do Purus. Existem 46 aldeias de 03 etnias Indigenas no Municípo de Santa Rosa do Purus, fato que deixa Santa Rosa do Purus em 4º lugar dos Municípios do Brasil com maior população Indigena.

Foto: acima Indigena Etnia Kulina, que representa a 2ª maior comunidade de povos Indigene de Santa Rosa do Purus, em 3º lugar com menor população Indigena está os povos Indigena Jaminawá.

Em 1943, o então Presidente da República do Brasil, Getúlio Vargas, instituiu o dia 19 de Abril, como o Dia do Índio no Brasil. A data foi criada para relembrar o dia 19 de Abril de 1940, quando decorreu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México.  O objectivo do Congresso era zelar pelos direitos dos indígenas na América.
No Brasil existem dezenas e dezenas de tribos indígenas dentre as quais citamos os Aiçanãs, os Araras-do-pará, os Caiapós, os Cocamas, os Nambiquaras, os pataxós, os Potiguaras, os Tupinambás, que integram  quatro grupos ou nações indígenas, de acordo com as suas línguas: tupis-guaranis, jê ou tapuias, nuaruaques ou maipurés e  caraíbas ou caribas.

São dez os munícipios brasileiros com maior população indígena:

1- São Gabriel da Cachoeira (AM) – 76,31% da população é indígena


2- Uiramutã (RR) – 74,41% da população é indígena

3- Normandia (RR) – 57,21% da população é indígena

4- Santa Rosa do Purus (AC) – 48,29% da população é indígena

5- Ipuaçu (SC) – 47,87% da população é indígena

6- Baía da Traição (PB) – 47,70% da população é indígena

7- Pacaraima (RR) – 47,36% da população é indígena

8- Benjamin Constant do Sul (RS) – 40,73% da população é indígena

9- São João das Missões (MG) – 40,21% da população é indígena

10- Japorã (MS) – 39,24% da população é indígena

Se nós brasileiros queremos preservar a verdadeira história do Brasil, devemos então é fazer algo pelos povos indígenas que ainda habitam o Brasil, e deixarmos de lado a questão da colonização portuguesa, isso já lá foi há mais de 300 anos; e não podemos continuar colocando a culpa nos colonizadores pela situação atual do índio do nosso país. E hoje? Quem faz algo por eles, ou pelos menos para lhe garantir direito ao território onde vivem?


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