terça-feira, 5 de abril de 2011

As 7 pragas da Amazônia

1 FOGO
As queimadas causam perdas de 121 milhões de dólares por ano. Considerada a emissão de carbono, os prejuízos chegam a 5 bilhões de dólares.

2 MADEIREIRAS
Há mais de 3 000 empresas cortando árvores. Para cada unidade retirada, os madeireiros danificam pelo menos outras quinze árvores.
3 ESTRADAS
Mais de 80% das queimadas acontecem perto das rodovias. A colonização se dá ao longo de 100 000 quilômetros de estradas clandestinas.
4 GARIMPOS
Além de poluírem os rios e devastarem reservas ambientais, os garimpeiros foram responsáveis pela chegada da aids às aldeias indígenas.
5 PASTAGENS
A soja avança sobre pastos antigos e capitaliza pecuaristas, que abrem novas áreas na mata. Cerca de 12% da Amazônia já virou pasto.
6 CORRUPÇÃO
Só a Operação Curupira, realizada em junho, prendeu 47 funcionários do Ibama envolvidos na exploração ilegal da floresta.
7 BUROCRACIA
De 539 milhões de reais em multas aplicadas em 2004, só 63 milhões de reais foram pagos e apenas 3 milhões de reais ficaram com o Ibama.


A Floresta Amazônica está sendo devastada como se nunca fosse acabar. Já não é possível continuar nesse ritmo, pois estamos nos aproximando do ponto em que não haverá mais volta. Simulações feitas em computador pelo meteorologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de São José dos Campos, indicam que a floresta desaparecerá quando a perda atingir entre 40% e 60% da cobertura vegetal. Não falta muito, pois nos últimos quarenta anos a mata encolheu 17%. A razão disso é o delicado equilíbrio do sistema de chuvas na região. Metade da precipitação pluviométrica é formada pelas massas de ar úmido provenientes do Oceano Atlântico, uma fonte inesgotável de umidade. O restante é alimentado pela transpiração das plantas e pela evaporação da água dos rios, do solo e da superfície das folhas. Essa fonte é destruída com a vegetação. No ritmo atual de devastação, a maior floresta tropical do planeta será substituída por uma vegetação típica de cerrado em apenas cinqüenta anos. Ou em trinta, de acordo com o prognóstico mais pessimista, que levou em conta a possível aceleração no ritmo de desmatamento.
"Como metade da chuva na Amazônia é criada pela própria floresta, a destruição será muito mais rápida e irreversível do que foi a da Mata Atlântica, onde a chuva depende sobretudo da umidade vinda do mar", diz o engenheiro agrônomo Enéas Salati, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, do Rio de Janeiro, e autor do estudo que desvendou o ciclo hidrológico da Amazônia. A redução do volume das chuvas seria apenas uma das conseqüências do rompimento do ciclo das águas na Amazônia. O calor que antes era amenizado pela evaporação da água retida na mata passaria a se concentrar no ar, provocando o aumento da temperatura. O clima da região ficaria mais quente e seco, o que dificultaria a sobrevivência de plantas e animais habituados ao ambiente úmido atual. Uma simulação em computador do que aconteceria com o ambiente da Floresta Amazônica indica que alterações significativas devem começar a ocorrer quando a perda de cobertura vegetal chegar a 20% – ou seja, um índice que estamos próximos de atingir. "Se o ritmo da devastação não for contido, em poucas décadas toda essa biodiversidade desaparecerá da superfície terrestre sem que o homem tenha sequer sido capaz de conhecer toda a sua riqueza", diz o biólogo americano Thomas Lovejoy, presidente do Centro H. John Heinz III para Ciência, Economia e Meio Ambiente, dos Estados Unidos.

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